04ad8be2979151015a8af7c9f7610246_xl-1

O envelhecimento nosso de cada dia.

 

 

E você, como vai envelhecer?

 

Vou contar uma breve história de uma história que mudou a minha própria.

Sou contadora de histórias e dentro do projeto que faço parte, ouvir também é essencial. E numa dessas ações encontrei um certo senhor, cansado da vida e de mau humor; foi logo barrando minha chegada dizendo que não tinha nada a dizer. Insisti, perguntei se queria que eu lhe contasse algo, e ele me disse que “de histórias já estava cheio”, elas (as histórias) já pesavam nele de tantas que eram.

Achei, ali, minha brecha para entrar e criar um vínculo. A pergunta certa caiu como luva e ele me contou sobre si. O que essa singela contadora não esperava é que algumas falas fossem, na verdade, lições de vida

E ele me contou… contou da sua forma de observar o mundo, disse como via o ser humano degradar-se. E me lembrei que, de uns tempos para cá, tenho visto um mundo mais bélico se revelando no dia a dia. Eu ouvia sua história e pensava em tudo o que eu vi na minha própria caminhada. Ele me falou de racismo e de morte, de homens derrubando outros pelo prazer do poder. Me contou de suas escolhas certas e erradas e de como era dolorido carrega-las hoje. “Todos sobrevivíamos”, ele dizia, quase pedindo desculpas

Ele ia me contando seus passos e falando sobre a perversidade da vida e eu pensando que só mudamos a época e a tecnologia. E ele falou da infância, do mundo faminto e voraz, da corrupção, da ganância, dos enganos e do preço que pagamos.

Ao final daquela conversa eu tinha uma visão cíclica do mundo, uma certeza de que ser honesta é um ato revolucionário, um caminho por onde seguir. E uma máxima: “tudo aquilo que fazemos nesta vida, pagamos na velhice”.

 

E você, como vai envelhecer?