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Vivendo e aprendendo a jogar

 

Quando criança, eu sempre fui um bom jogador, quando me era apresentado algum jogo novo, eu sacava a lógica e algumas partidas já me era suficiente para começar a ganhar, ou dar trabalho para jogadores experientes, pelo menos. Perder nunca foi legal, sempre fui competitivo, sempre quis ser um dos melhores, então eu treinava muito, estudava, me esforçava muito.

Agora, na fase adulta, estou mudando de “level” falaram que eu não sei jogar esse jogo, “a vida”, eu que sempre iludido em um mundo que tudo é bonito e tudo dá certo, não soube perder essa visão romântica de “a vida é bela como um comercial de margarina ou de carro novo” e caí, caí de cara no chão da realidade, chorando pelas derrotas. Porém, como havia dito no início, sou um bom jogador e aprendo as regras e os macetes rápido.

Aprendi enxergar os adversários e suas táticas, elas são quase sempre padronizadas, aprendi a escolher minhas peças, aprendi escolher meus parceiros de rodada, aprendi blefar como no poker, esconder os trunfos. Uma hora se ganha, outra se perde, assim segue o jogo.

Sobretudo, aprendi a perder, perder é uma boa forma de se aprender, um jogador mais experiente irá te ganhar fácil nas primeiras rodadas, até que você pegue o jeito e entenda as regras, daí você começa a dar trabalho, com treino vira um adversário.

Alguns jogos que tive contato me frustraram um pouco, pois comecei as partidas e só perdia, os adversários jogavam e ganhavam fácil. Daí estudei as regras dos tais jogos e entendi por que os adversários sempre ganhavam; eram ele que tinham criado os jogos, eram eles que tinham feito as regras, eram eles os melhores jogadores. Em jogos, como estes, não se entra.

Venho vencendo algumas partidas, quando se entende a lógica do jogo, se cria serenidade e frieza para iniciar a rodada; depois de muito treino, muitos calos nas mãos, muitas noites estudando os macetes, muita frustração das derrotas, estou pronto para mais uma rodada.

O jogo continua, não se sabe todas as regras, mas estou aprendendo todo dia, a cada rodada, uma parte delas, como na música da Elis Regina, “nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar”.