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Você quer falar sobre Música, não quer?!

 

Bom. Fica claro.
Algumas pessoas se tornam obcecadas por determinados assuntos e acabam querendo expressar o que pensam sobre. Normal.
Problema é simples: você tem ideia de quê quer dizer quando fala?!

Toda a graça de ser músico, nestes momentos, é poder fazer perguntas comprometedoras, assistindo os supostos “críticos” enrubescerem.
Minha vez, né?

Então vamos lá:

Nasceram RAP, Hip-hop, Black e Funk, no Brasil.
O último é o mais achincalhado, então foquemos nele.

Funk brasileiro nasceu por uma releitura carioca do funk gringo, de Prince e James Brown.
Começou, nas favelas, falando sobre o modo de vida e sobre a diversão do favelado. Furação 2000 tratou de espalhar o espírito (mundo afora, inclusive).
Hoje, o Funk quer falar sobre sucesso (ostentação) e sexo (proibidão).

Uma coisa me é muito clara: as letras do pancadão proibido, principalmente, são explícitas. Elas quase empatam as pesquisas do Google Images, mas perdem, ainda.
Um funk proibidão, se quisesse, poderia, facilmente, empatar uma das perguntas da plateia do Serginho Groisman no Altas Horas. Mas ainda não quis.

Caso é: estamos falando de música, portanto, falemos sobre música.

Você é crítico musical do Funk?
Você costuma colocar o clássico europeu como contraponto ao funk?

Se sim, vamos conversar?

Papo simples. Coisa bem básica. Tipo o mínimo da teoria musical.

 

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Responda sinceramente:

– Você sabe o que é uma escala?
– Sabe como ela se comporta em relação à tônica?
– Sabe o que é tônica?
– Sendo a tônica definida, sabe a razão de ser maior ou menor a escala que a acompanhará?
– Sabendo, entende de harmonia?
– Sabe montar harmonias?
– Sabendo, como faz para expressar o sentimento quisto? Modos gregos?
– Conhece os modos gregos?
– Sabe descrever os modos gregos?
– Bemóis e sustenidos te são realidades claríssimas, portanto?
– Teu conhecimento sobre escalas permite montar as harmonias independentemente dos modos?
– Você usa mais acordes naturais ou variações para compor?
– Sabe reproduzir em quantos instrumentos?
– Com relação às partituras, precisa estudar ou faz leitura natural?
– Sendo natural, consegue reproduzi-la em teclas, cordas e percussão ou está restrito a um dos gêneros?
– Já pensou (e tentou) expandir seu leque musical?

Sabe? É muito importante que tenhamos bons músicos na jogada.
A música empobrece por carência de músicos, basicamente.

Quando você se coloca como crítico musical, automaticamente reconheço um virtuose, e vocês estão em falta!
Estamos nós mesmos, pobres mortais, fazendo cálculos matemáticos para compor, enquanto vocês o fariam apenas sentando no piano!

É claro que a música vai morrer!
Vocês, virtuoses, estão se contentando em criticar o pronto no Facebook! Como sobreviveremos!?

E, então, faço um pedido formal:

Virtuoses todos, por favor, saiam de seus tronos e passem aos instrumentos.
Componham!
Façam como Victoria, Pergolesi, Palestrina… Componham!
Parem de nos dizer o que é bom ou ruim no já pronto! O pronto está pronto! Façam o vosso!

Precisamos dele!

 

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E, se for o caso não ser um virtuose, mas apenas um portador de pitaco que sequer consegue bater um chocalho de bebê no tempo, faça-nos um favor: se cale!
Imagina que patético não saber quebrar um ovo, porém querer ensinar um Chef a cozinhar…
Ridículo, não?!

Pois bem: você está afim de ser ridículo? Não? Então “xiu”.
Agradecemos.

Arquitetos fiquem com a Arquitetura; Cineastas com o Cinema; Fotógrafos com a Fotografia; Escultores com a Escultura; Pintores com a Pintura; Músicos com a Música e Pitaqueiros com o diabo que os parta.

Beijos.